FUNDAÇÃO DRACENENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA

sábado, 4 de julho de 2026

SOFRIMENTO OU ADOECIMENTO? A DIFERENÇA QUE PODE TRANSFORMAR A FORMA COMO ENXERGAMOS A SAÚDE MENTAL

Vivemos uma época em que qualquer tristeza é rotulada como depressão, qualquer preocupação vira ansiedade e cada momento difícil é interpretado como um transtorno. No entanto, existe uma diferença fundamental entre sofrimento psicológico e adoecimento mental. 

O sofrimento faz parte da experiência humana. Ninguém atravessa a vida sem perdas, decepções, frustrações, lutos, mudanças ou conflitos. Essas experiências despertam, naturalmente, emoções intensas como tristeza, medo, raiva, culpa ou insegurança. 

Na Psicologia, entendemos que o sofrimento não significa, necessariamente, doença; ele pode ser, inclusive, um mecanismo saudável de adaptação. Quando alguém perde uma pessoa querida, termina um relacionamento ou enfrenta dificuldades financeiras, é esperado e legítimo que haja dor. Esse processo avisa que algo importante aconteceu e que a mente precisa de tempo e espaço para se reorganizar.

Sentir uma tristeza profunda após um luto é sofrimento. Contudo, se meses depois a pessoa permanece isolada, deixa de se alimentar, negligência a própria higiene ou perde totalmente o sentido da vida, podemos estar diante de um quadro de adoecimento, caracterizado pela perda da capacidade funcional.

Nosso cérebro é profundamente influenciado e moldado pelo ambiente em que vivemos. Assim como contextos saudáveis fortalecem nossa estrutura mental, cenários tóxicos e estressores crônicos favorecem o esgotamento e a ansiedade. A ansiedade, vale lembrar, é uma resposta natural de sobrevivência, um sinal de alerta do corpo para nos proteger de ameaças externas. Nós precisamos dela. Essa talvez seja uma das maiores reflexões da Psicologia moderna: às vezes, a pessoa não está doente, ela está apenas reagindo a condições de vida extremamente padecedoras. 

Imagine uma planta. Se ela está murchando, nem sempre o problema está na semente. Talvez falte água, falte luz ou o solo esteja contaminado. Com o ser humano acontece o mesmo. Nem todo sofrimento precisa ser imediatamente medicado; muitas vezes, transformar o ambiente e as relações é o passo fundamental para restabelecer a saúde mental. 

Cidinha Pascoaloto - Psicóloga, CRP 06/158174. Presencial e online 

(18) 99725-6418 

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