A Câmara Municipal, como é tradicional,
realiza esta comemoração, mesmo que antecipada, pelo aniversário de emancipação
político-administrativa de Dracena. A data bastante relevante deveria ser muito
mais comemorada e divulgada junto às nossas autoridades, escolas e à população.
Como o 4 de abril não é feriado, muitos ficam alheios à importância da data.
Quero nesta noite resgatar fatos
históricos e acrescentar novas informações para uma melhor compreensão daquele
momento de criação do município e sua efetiva instalação. E lá são se vão 69
anos de história da emancipação de Dracena.
Como já foi bastante divulgado, Dracena
surgiu em 1945, com sua fundação no dia 8 de dezembro para coincidir com o Dia
da Imaculada Conceição.
Tudo foi planejado para atrair novos
investidores interessados nos lotes oferecidos pela Empresa Imobiliária
Fioravante, Spinardi e Vendramim Ltda., que surgiu em Tupã. Era um momento de
forte expansão da região Oeste Paulista e notadamente a Zona da Mata, ou seja,
a nossa Nova Alta Paulista.
Havia na época vários povoados surgindo,
todos ligados ao município responsável por estas terras que era Lucélia. Lucélia
foi fundada em 1939 e como município foi oficialmente reconhecido em 1944.
Lucélia é conhecida como a “cidade mãe das demais cidades”, que foram surgindo
posteriormente. A abrangência de Lucélia na época era até as barrancas do Rio
Paraná, um município, portanto, de grande extensão territorial.
Dracena era apenas um povoado ou
território e assim ficou em 1946 e 1947. Porém, Írio Spinardi e demais
fundadores queriam mais, sabiam que se Dracena não se tornasse município no
final daquela década de 1940 ficaria para trás, pois havia dezenas de outras
localidades prontas para crescer. A concorrência era muito grande.
Chegou o ano de 1948, que foi
fundamental neste contexto histórico. Na Assembleia Legislativa de São Paulo
tramitavam dezenas de projetos de criação de novos municípios. Para se ter uma
ideia, naquele ano foram criados 64 municípios de uma só vez, incluindo
Dracena.
O interessante que foi arquivado o
projeto de criação do município que se chamaria Metrópole, que acabou se
transformando num dos principais bairros de Dracena. Panorama também não
conseguiu seu objetivo naquele ano.
Antes da criação oficial de Dracena,
Írio Spinardi teve um trabalho enorme para concretizar a sua ideia. Primeiro, pediu
apoio para o senhor Souza Leão, fundador de Tupã, que tinha mais acesso aos
deputados estaduais da época.
Em contato com os deputados Dr. Antonio
Sylvio da Cunha Bueno e Dr. Ulysses Guimarães, o fundador Írio Spinardi ficou
sabendo que Tupi e Junqueirópolis estavam com processos mais adiantados e com
apoio de padrinhos políticos.
Os referidos deputados visitaram a nova
região para ver o surgimento das cidades, inclusive, Dracena.
Os próprios deputados não se entusiasmaram
com a situação, pois havia poucas casas nos primeiros anos após a fundação. Mas,
Írio Spinardi os convenceu da viabilidade do projeto, mostrando o hotel de dois
andares em construção, rodoviária e vários prédios de alvenaria.
Após a visita dos parlamentares, Írio
Spinardi criou uma comissão para conseguir reunir informações e documentos e
tudo mais que pudesse comprovar e justificar a criação do município.
Houve momentos de aflição, ansiedade e
até de dúvida se tudo aquilo daria certo. Até povoados vizinhos tentaram
prejudicar o projeto de Dracena.
O Diário Oficial da Assembleia, edição
de 4 de maio de 1948, apresentou ata da comissão de estatística da Assembleia,
com a relação de territórios que pleiteavam a criação dos municípios.
Naquela publicação estava o requerimento
230, assinado por Ulysses Guimarães, com as seguintes informações:
“Memorial dos moradores do território
denominado Dracena, encaminhado pelo requerimento nº 230/1948, do deputado
Ulysses Guimarães, solicitando a elevação do referido território à categoria de
município”.
A formalização do projeto foi mais um
passo importante, porém ainda faltavam as 400 assinaturas de apoio, com firma
reconhecida. Isso Írio só ficou sabendo 48 horas antes da votação do projeto. Foi
um momento de grande desespero.
Para se ter uma ideia da situação
dramática, Írio teve que contratar um avião em São Paulo, com algumas latas de
gasolina de reserva, até chegar a Garça já à noite e depois Lucélia. Ainda teve
que convencer o piloto para chegar a Dracena ainda naquela noite. A
aterrissagem em Dracena só foi possível graças aos poucos carros que acenderam
seus faróis na pista de pousos.
Naquela mesma noite houve reunião de
emergência para a comissão de trabalho se organizar visando a coleta das
assinaturas de apoio. Era uma corrida contra o tempo. O dia seguinte todo foi
marcado por esta corrida pelas assinaturas. Até crianças assinaram a lista com
seus nomes e de seus pais.
Com a lista em mãos, Írio foi para
Lucélia em busca do reconhecimento de firmas das assinaturas.
Um detalhe: o cartório dirigido pelo
capitão Mesquita tinha sido destruído por um incêndio. Írio teve que convencer
o capitão a fazer o seu trabalho de reconhecimento de firmas para não
inviabilizar o abaixo-assinado. Foi sob um clima de tensão e de ameaças para
que tudo fosse feito no tempo certo.
Írio seguiu para São Paulo, novamente de
avião no próprio dia de votação do projeto e às 15h30 entregou o
abaixo-assinado na Assembleia Legislativa. A votação foi por ordem alfabética,
às 16 horas, e o projeto de Dracena acabou sendo aprovado. Foi um momento de
forte emoção para Írio Spinardi e todos os demais envolvidos naquele projeto,
não se esquecendo dos fundadores também, João Vendramim, Virgílio e Florêncio
Fioravante.
Através da Lei nº 233, de 24 de dezembro
de 1948, (na véspera do Natal), o então governador Adhemar de Barros fez a
promulgação e sancionou a legislação referente ao novo quadro territorial,
administrativo e judiciário do Estado de São Paulo.
Nesta lei 233 está a informação que o
município de Dracena é criado com terras desmembradas do distrito de Tupiretama,
ex-Gracianópolis.
Na mesma lei, há a notícia da criação do
distrito de Jaciporã
Dracena tinha as seguintes divisas: com
Pauliceia, Gracianópolis (hoje Tupi Paulista), Junqueirópolis, Santo Anastácio,
Piquerobi e Presidente Venceslau. Ainda fazia divisa com os distritos de Jaciporã
e de Ouro Verde.
Após a criação do município no Natal de
1948, com uma grande festa, o próximo desafio era a realização da primeira
eleição municipal e depois a instalação do município.
Conforme o site do Tribunal Regional
Eleitoral, a eleição do primeiro prefeito dos novos municípios ocorreu em 13 de
março de 1949, abrangendo ainda as Câmaras de Vereadores. Não havia a figura do
vice-prefeito.
O fundador Írio Spinardi acabou sendo
eleito o primeiro prefeito. Era candidato único, recebeu a totalidade dos
votos, nenhum nulo ou em branco.
A Câmara tinha 13 vereadores como hoje.
Foram eleitos: Ázio Montecuco, Aparecido Enes Sobrinho, Arlindo Carnelós (que
continua residindo em Dracena), Eloy Ferreira Duarte, Hildebrando Lippe, João
Cícero, João Leal, José Antonio Mega, Jovino da Silva Dias, Messias Ferreira da
Palma (o primeiro presidente do Legislativo), Mário Pagnozzi, Norberto Martins
da Fonseca e Pedro Vítor da Silva. Os suplentes eram Bráulio Boleta, Geraldo
Sabino de Oliveira, Joaquim Rodrigues de Barros, José Xavier Alves e Osvaldo
Rodrigues de Barros.
A posse do primeiro prefeito e 13
vereadores ocorreu em 3 de abril de 1949, com mandato tendo início em 4 de
abril, que é a data que prevalece como o Dia da Emancipação
Político-Administrativa de Dracena, que é a comemoração que fazemos hoje.
Pelos relatos é possível imaginar como
foram difíceis os primeiros anos após a instalação do município de Dracena.
Tudo começou na estaca zero, mas graças ao empenho dos governantes,
investidores e da população, as décadas foram passando e Dracena alcançou o
patamar de cidade polo da região da Nova Alta Paulista.
Nesta noite festiva queremos
cumprimentar os integrantes das 17 legislaturas até hoje, prefeitos, vice-prefeitos,
vereadores, secretários, funcionários públicos em geral, autoridades,
população, trabalhadores e todos que contribuíram para uma Dracena cada vez
melhor.
Vereador Cláudio José Pasqualeto, orador oficial na Sessão Solene de 2 de abril.

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