É sabido que com o aumento da violência, os órgãos de repressão estão mais atuantes, mas há de se considerar que o excesso de truculência não pode ser visto como habitual e eficaz para coibir a criminalidade.
FATOS: Recentemente, mais precisamente no mês de janeiro, época em que a cidade recebe muitos visitantes, os dracenenses que moram ou estudam fora retornam para o seio de seus familiares para passar férias. Ocorre que num final de semana de janeiro fui testemunha ocular de um fato que me deixou estarrecido pela abordagem truculenta e inadequada de um policial militar que poderia ter provocado sérias consequências. Em meados de janeiro, encontrava-me com familiares e amigos na conhecida lanchonete “Choppin”, era início de uma noite de sábado, muitos jovens, outros nem tão jovens assim, todos circulando por ali, muitos carros, muita gente, ouso apostar em mais de 2.000 pessoas quando, de repente chega uma viatura e se posta em frente ao “Roll´s Bar”. Na sequência, alguns policiais descem a rua e vão abordando os condutores de motos e carros, tanto em trânsito como os devidamente estacionados. Ressalte-se dizer que a abordagem sempre feita com uma arma em punho. Determinado momento uma camionete segue na Rua Tiradentes no sentido centro-bairro e faz uma conversão à direita; velocidade baixa como demandava a ocasião e som bem alto. Um “conhecido” policial militar (revestido de farda como se fosse um personagem de cinema conhecido por Robocop) se postou no meio da rua, mexeu em sua arma como se a deixasse pronta para atirar e apontou para o motorista do carro que subia calmamente a rua. O motorista por sua vez, parou seu veículo e ficou esperando a próxima ação do referido policial; a impressão que deu a mim e a todos que ali estavam é que o digníssimo fosse atirar no motorista do carro. Pensei naquele momento que estivesse assistindo algum daqueles programas de televisão onde a polícia atira em pessoas e invade barracos nas favelas de grandes cidades. Aquela situação provocou em todos os presentes uma péssima impressão, pois, se a arma do policial dispara pra qualquer lado que fosse, atingiria alguém. Havia mais de uma centena de pessoas e estávamos na linha de tiro. O policial foi até o motorista, argumentou algo e mandou que seguisse sem ao menos pedir documentos, nem mandar descer, nem deitar no chão e algemá-los, pois, a julgar pelo exagero da abordagem, seria o mínimo esperado.
SR. PREFEITO, no final de semana do dia 17 de março, noite de sábado, fiquei ainda mais perplexo com o absurdo que presenciei. Já tinha ouvido comentários a respeito, mas relutava em acreditar dado o absurdo que me era informado. Depois de uma reunião com amigos resolvemos comer em uma lanchonete que fica à Avenida Washington Luiz, próximo ao trevo da cidade. Tudo transcorria normalmente, muitos carros, muita gente passando para todos os lados, cada um com sua tribo, uns com som alto, outros nem tanto, mas todos curtindo seu lazer na madrugada, sem NENHUMA ocorrência, nem brigas, nem tumulto generalizado. Em determinado momento, chegam pelo menos seis viaturas da Policia Militar e fecham a avenida na esquina do restaurante “Bambu”, desviando o fluxo de veículos para a rua paralela. Ao mesmo tempo outros policiais foram ao longo da avenida abordar as pessoas com armas pesadas em punho, cães de prontidão e palavras de baixo calão para se dirigir aos presentes.
Fiquei espantado com a ação, senti vergonha quando um casal convidado, moradores do estado do Paraná, me indagou sobre a necessidade daquilo. A situação ficou pior ainda quando pudemos ver, a poucos metros de nós, muito próximo a centenas de pessoas que a policia estava lançando bombas para dispersar os que ali estavam. Perguntei para algumas pessoas sobre aquilo que acontecia diante de meus olhos, mas mesmo assim, relutava em acreditar. Responderam que não era novidade, um amigo até me disse: “Eu já tinha te falado sobre isso”.
SR. PREFEITO, acompanho os noticiários locais e outros mais que meu tempo permite. Confesso que me senti numa praça de guerra, me fez lembrar repressão, falta de educação, militarismo, ditadura, AI-5 etc.
SR. PREFEITO, informo que N A D A, exatamente NADA de errado acontecia naquele local, salvo alguns carros estacionados no chamado “passeio público”, o que não justifica uma ação daquela e poderia muito bem ser resolvido com uma abordagem mais ‘amena’.
Tinha aglomeração? Sim. Tinha grande circulação de veículos? Sim. Tinha consumo de bebida alcoólica? Sim, é óbvio. Carros empreendendo alta velocidade? Não. Os chamados “cavalos de pau” ou outras manobras arriscadas? Não. Então, qual o objetivo da operação? Confesso que desconheço. Só faltou os policiais dizerem que não se podia mais ficar ali, que todos deveriam seguir para suas casas e que estava proibida a permanência naquele local. Aliás, nem precisou porque depois disso ficou o que se pode chamar de “meia dúzia de gatos pingados” na avenida.
SR. PREFEITO, senti vergonha de minha cidade naquela hora. Com certeza não convido mais ninguém para vir me visitar, sob a alegação de passar horas agradáveis na avenida durante as noites quentes e madrugadas de calor que temos aqui.
SR. PREFEITO, não se empurra a sujeira para debaixo do tapete, tola é a pessoa que acredita que em Dracena não se consome drogas, tem sim, e isso está em todo lugar. As drogas são a desgraça da humanidade e a polícia sabe bem disso, e sabe também quem usa, quem vende e onde. Não é espantando as pessoas do centro que vai diminuir o consumo. MUITA GENTE sabe onde é feito o comércio de entorpecente, não é no centro que se prende o traficante, é na “boca de fumo”.
ACORDA SENHOR PREFEITO. ACORDA.
Palavras de um dracenense indignado
Obs. O autor foi devidamente identificado ao moderador do blog, que preserva a fonte.
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