O envelhecimento é um processo natural e inevitável da vida humana. No entanto, a sociedade contemporânea frequentemente transforma o avanço da idade em um fator de desvalorização e exclusão. Esse fenômeno, conhecido como etarismo, refere-se ao preconceito baseado na idade de um indivíduo. Embora possa afetar jovens, suas consequências mais profundas são direcionadas à população idosa formando barreiras gigantescas e estruturais de grande escala.
O etarismo se
manifesta de forma sutil ou institucionalizada em diversos setores, como no
mercado de trabalho, no cotidiano, na linguagem e no sistema de saúde. Suas
consequências afetam profundamente a saúde mental: quando uma pessoa ouve
repetidamente que está velha demais para aprender, produzir ou contribuir, ela
tende a perder a autoestima, sentir-se inútil e isolar-se, podendo desenvolver
ansiedade e depressão. Estudos apontam que vítimas desse preconceito apresentam
maior sofrimento emocional e menor expectativa de vida.
Nas empresas, o
etarismo também gera grandes prejuízos. Ao deixar de contratar ou valorizar
profissionais experientes, perde-se conhecimento acumulado, equilíbrio
emocional, comprometimento e capacidade de resolução de conflitos. A
experiência não substitui a juventude, assim como a juventude não substitui a
experiência — ambas se complementam perfeitamente.
Os jovens chegam
ao mercado com inovação, criatividade, domínio de novas tecnologias e
disposição para aprender. Já os profissionais mais experientes oferecem
maturidade, visão estratégica, responsabilidade e a sabedoria construída ao
longo dos anos. Organizações que unem essas duas gerações formam equipes mais
fortes, integradas e humanas.
Aos empresários, fica um convite à reflexão: contratar uma pessoa não é apenas analisar um currículo, mas reconhecer histórias e potenciais. A idade nunca deve ser o critério para abrir ou fechar uma porta. Combater o etarismo é promover respeito, inclusão e dignidade. O verdadeiro sucesso das empresas não está em escolher uma geração, mas em construir pontes entre elas, pois o futuro se constrói quando diferentes gerações caminham juntas.
Cidinha Pascoaloto - Psicóloga, CRP 06/158174. Presencial e online
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