A Covid-19
deixará um rastro de destruição sobre a humanidade. Negócios serão aniquilados,
empreendimentos deverão ser remodelados, o saber deixará de ganhar valiosos
avanços, milhões de crianças perderão tempos preciosos na aprendizagem, a
pobreza cobrirá o planeta com sua devastadora capacidade de aumentar as
desigualdades sociais, a angústia e a depressão vestirão milhões, senão
bilhões, de pessoas com o manto da tristeza. O planeta atrasará em muito seu
ritmo de avanços.
Há quem faça
projeções mais otimistas, como essas que sinalizam descobertas revolucionárias
na medicina, com a chegada das vacinas. É razoável apostar, sim, em passos
adiante. Mas não há como deixar de reconhecer o atraso na vida educacional de
uma geração, obrigada a permanecer em casa, mesmo assistindo as aulas por meios
virtuais.
Aliás, esse ensinamento
à distância deixa muito a desejar. Poucos prestam atenção ao pensamento do
mestre, a interação é muito escassa, o diálogo se perde na cadência monótona do
bombardeio mental. Milhões de micros, pequenos e médios negócios fecharão as
portas. No plano espiritual, os danos maltratam mentes e corações na forma de
impactos emocionais e racionais. Quantas pessoas estão desabando no
despenhadeiro da depressão, da angústia e da tristeza, quando em suas redomas
repassam suas vidas, o tempo perdido em apostas sobre o futuro, em uma cadeia
de ilusões que se desfazem nas correntes de vento que balançam a vida. Volto os
olhos aos imensos contingentes que pensam muito sobre o circuito de sua
existência.
Que sofrem em
ver tantas injustiças, que se tomam de indignação contra a corrupção na
política, que não se conformam com a facilidade como as massas são manipuladas,
com os desvarios de governos, pessoas que têm grande dom de se expressar e
pequena motivação para agir. São pensamentos e reflexões na crise. E aqui por
nossas plagas, o que poderá acontecer? Se os tempos fossem normais, Jair
Bolsonaro não completaria o mandato. Mas em tempo de pandemia, qualquer ato
político impactante semeará caos no país. A alternativa que resta é a pressão
por mudanças: no comportamento do presidente, na força aos governos e
municípios para que possam ser bem-sucedidos em sua guerra contra a Covid-19.
Quanto às eleições de novembro - na crença de que serão adiadas -, que os candidatos reflitam sobre seu discurso, sua maneira de se apresentar ao eleitorado e procurem realizar um ato de contrição. Sejam simples, modestos, honestos e sinceros. Amanhã será outro dia.