FUNDAÇÃO DRACENENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

OSTRACISMO: QUANDO SER DEIXADO DE LADO TAMBÉM MACHUCA



Ser ignorado, excluído ou afastado de um grupo, de uma relação ou até da própria família pode parecer apenas uma situação social desagradável, mas o ostracismo vai muito além disso. Quando alguém percebe que não é mais incluído, procurado, ouvido ou lembrado, a sensação de não pertencer pode doer profundamente. 

O ostracismo acontece quando alguém é excluído: as conversas acontecem, os encontros continuam, as mensagens chegam para todos — menos para ele. Nem sempre existe uma briga. Às vezes, existe apenas um afastamento silencioso, que pode ser difícil até para quem sofre explicar o que está sentindo. Existe ainda um tipo de ostracismo pouco percebido: aquele que acontece quando a dor do outro incomoda tanto que as pessoas preferem se afastar. 

Esta é uma das formas mais sutis e devastadoras de violência psicológica. Estudos da neurociência demonstram que ser ignorado ativa o centro neural da rejeição, a mesma região do cérebro responsável pelo processamento da dor física. Isso significa que a sensação de rejeição dói literalmente no corpo.

Quando a exclusão se prolonga, ela pode contribuir para sentimentos de solidão, inutilidade e desesperança, especialmente quando a pessoa já enfrenta outras dificuldades emocionais ou sociais. Por isso, quando alguém começa a desaparecer socialmente, deixa de procurar as pessoas ou fala que não vê mais sentido em continuar, não devemos simplesmente interpretar como “fase”, “drama” ou vontade de ficar sozinho. Às vezes, o silêncio é justamente o momento em que mais precisamos nos aproximar, sentar ao lado, perguntar como a pessoa realmente está e permanecer disponíveis para ouvir.

Talvez uma das formas mais importantes de prevenção seja justamente não deixar que alguém desapareça diante dos nossos olhos sem que ninguém perceba. O ostracismo diz: “você não pertence”. O acolhimento pode responder: “eu vejo você, sua dor importa e você não precisa atravessar isso sozinho.” 

Cidinha Pascoaloto - Psicóloga, CRP 06/158174. Presencial e online

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