O luto pela morte de alguém que amamos não acontece apenas no coração. Ele também transforma o cérebro. Quando uma pessoa querida parte, nosso cérebro precisa aprender pouco a pouco uma nova realidade: aquela presença que fazia parte da rotina não estará mais ali.
Nos primeiros momentos, é comum sentir uma espécie de desorganização interna. A memória continua esperando aquela pessoa: procuramos sua voz, imaginamos seus passos, esperamos uma mensagem ou até pensamos em contar algo que aconteceu. Isso acontece porque as redes neurais ligadas à memória, aos vínculos afetivos e os pensamentos ainda estão na presença de quem partiu.
E existem os
objetos que ficaram: as roupas usadas, fotografias, um perfume ainda não
acabado, mensagens gravadas, uma cadeira, um livro, um prato preferido ou até
um simples copo, não são apenas coisas. Tornam-se pontes entre o presente e
aquilo que foi vivido.
É por isso que
abrir um armário e encontrar uma roupa pode provocar lágrimas. Sentir cheiro
pode trazer alguém de volta por alguns segundos à nossa memória. Rever uma
fotografia pode despertar a imagem e a voz, o jeito de sorrir, um abraço e
momentos compartilhados.
Por isso, não existe um tempo universal para guardar ou se desfazer dos pertences de quem morreu. Algumas pessoas precisam manter tudo por algum tempo; outras sentem necessidade de organizar, doar ou transformar esses objetos em novas formas de significado.
Nenhuma dessas
escolhas determina o tamanho do amor.
Com o tempo, o
cérebro começa a se reorganizar. A ausência vai sendo incorporada à nova
realidade, sem que isso signifique esquecer. A saudade permanece, mas pode
deixar de ser apenas dor e transformar-se também em memória, gratidão e
significado. Porque algumas pessoas deixam de ocupar um lugar à nossa frente,
mas jamais deixam de ocupar um lugar dentro de nós.
Cidinha Pascoaloto
- Psicóloga, CRP 06/158174. Presencial e online
📞 (18) 9 9725-6418
www.facebook.com/cidinha.pascoaloto

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