Ninguém é santo
Nos últimos dias, ganhou extraordinária repercussão a manobra dos dirigentes norte-americanos para postergar decisão do tribunal esportivo da Fifa e possibilitar a escalação de atleta, punido pelo cartão vermelho, em jogo decisivo do mundial de futebol. Vitoriosa nos bastidores, a medida não vingou no gramado e os EUA acabaram perdendo.
Desde o século
passado
O Brasil também já
utilizou expediente condenável, no mundial de 1962, disputado no Chile. Numa
das semifinais, derrotou o Chile por 4 a 2 e teve o ponteiro Garrincha expulso.
Em consequência, não poderia utilizar o atleta, na final contra a
Checoslováquia. Mas a proibição dependeria do testemunho do bandeirinha
uruguaio Estebam Marino que trabalhava na partida e acompanhou o lance da
expulsão.
Através do
companheiro
Sabedores de que
Marino era amigo de João Etzel, outro apitador que dirigia jogos do Paulistão,
a então Confederação Brasileira de Desportos o incumbiu de mandá-lo ao Chile e
pressionar o árbitro uruguaio. Evidente que Etzel levou uma mala de dinheiro e
instruiu Marino para que sumisse e não comparecesse ao julgamento. Sem o
testemunho, Garrincha foi absolvido, o Brasil ganhou dos checos e tornou-se
bicampeão.
Personagens
conhecidos
Na época, repórter
de campo da rádio Auri-Verde, acompanhei vários compromissos do Noroeste de
Bauru, pelo campeonato paulista. Os dois conduziam jogos do time. Etzel tinha
desempenhos criticados e se comentava que participava de ´esquemas´. Já Marino
era elogiado pela seriedade e firmeza nas atitudes.
Professor Valdir Andrêo

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