O luto por uma morte abrupta é uma das
experiências emocionais mais desorganizadoras e assustadoras para o ser humano.
Quando uma pessoa querida morre de forma inesperada, não morre apenas um
indivíduo: morrem também projetos, planos, sonhos compartilhados, conversas não
terminadas e partes da identidade de quem fica.
Outro aspecto importante é o rompimento
dos sonhos. O cérebro humano vive projetando o futuro. Criamos mapas emocionais
sobre o amanhã: viagens, o envelhecer juntos, conquistas e rotinas simples do
cotidiano. Quando a morte abrupta acontece, esses mapas são destruídos. Isso
gera um vazio existencial profundo, porque a mente perde suas referências de continuidade.
Fecha-se, assim, o ciclo da convivência
e abre-se o ciclo da continuidade da vida. O luto é uma reação natural diante
da ausência. Ele surge como uma resposta emocional à perda de uma pessoa amada,
e não há uma forma “correta” de senti-lo. Cada indivíduo vive esse processo de
modo único, de acordo com sua história, seus vínculos, suas crenças e os
investimentos afetivos feitos durante a convivência.
Na Psicologia, compreendemos que o luto
não tem prazo nem roteiro exato. Algumas pessoas choram muito; outras
silenciam. Algumas adoecem fisicamente; outras mergulham no trabalho. Cada
cérebro e cada coração respondem de maneira única à perda. Existem fases no
luto, como a negação, a tristeza e a raiva, até que com o tempo, ocorra a
aceitação.
O cérebro também possui
neuroplasticidade, ou seja, a capacidade de se reorganizar diante da dor. Com o
tempo, ele começa, lentamente, a construir novas formas de existir, sem apagar
a memória de quem partiu. Superar não significa esquecer.
Apesar disso, a morte ainda é um dos maiores tabus da sociedade. Falar sobre ela causa desconforto, silêncio e medo. No entanto, o impacto emocional de uma perda pode se tornar ainda mais doloroso se o assunto for evitado dentro das famílias. Embora o silêncio seja a resposta comum ao sofrimento em muitos lares, falar abertamente sobre o ente querido é fundamental para o processo de cura.
Cidinha Pascoaloto - Psicóloga, CRP 06/158174. Presencial e online
📞 (18) 99725-6418
www.facebook.com/cidinha.pascoaloto
Cidinha Pascoaloto (@cidinhapsicologa) • Fotos e vídeos do
Instagram

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Mande seu comentário no e-mail claudiojosejornalista@yahoo.com.br
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.