A violência contra a criança começa muito antes do primeiro tapa
Existe uma violência que não deixa marcas visíveis. Não aparece em exames, não chama atenção de imediato, não mobiliza a mesma urgência. Mas se instala, pouco a pouco, quando a criança deixa de ser escutada, quando sua experiência é diminuída, quando aquilo que sente é tratado como exagero, birra ou falta de importância.A violência contra a criança não começa apenas na agressão física. Ela pode começar no silenciamento constante, na pressa em corrigir antes de compreender, na necessidade adulta de controlar aquilo que ainda está em processo de aprender a existir.
Quando a criança chora e escuta que “não foi nada”, algo da sua experiência é negado.
Quando demonstra medo e alguém diz que é “bobagem”, aprende que o que sente não merece lugar.
Quando sua curiosidade é recebida com impaciência, pode começar a acreditar que pensar e perguntar incomodam.
Aos poucos, a criança pode deixar de confiar no próprio sentir.
Isso não significa que adultos não possam se irritar, se cansar ou errar. Cuidar também atravessa limites, frustrações e imperfeições. O que protege a criança não é um adulto ideal, mas um adulto que possa se implicar, rever, reparar, sustentar um olhar que não reduz a criança àquilo que incomoda.
A infância precisa de espaço para experimentar o mundo, inclusive nas suas contradições. Precisa de presença que oriente sem humilhar, que limite sem desqualificar, que ensine sem ferir.
Nem toda violência faz barulho. Algumas acontecem no modo como a palavra chega, no modo como o adulto interpreta, no modo como a criança é vista ou não é.
Cuidar também é perguntar: o que minha forma de falar ensina sobre o valor que essa criança tem?
⚠️ Este conteúdo não substitui uma psicoterapia ou análise pessoal!

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