Quem já fica angustiado no domingo à noite talvez não esteja cansado apenas do trabalho, mas de algo que insiste em não ser escutado. A segunda-feira não cria o mal-estar, ela revela. Ela desmonta o encanto do fim de semana, rompe a fantasia das metas que nunca começam, dos sonhos sempre adiados, das versões idealizadas de nós mesmos.
Recomeçar não é simples. Recomeçar exige admitir perdas, reconhecer limites e abandonar a ilusão de que amanhã tudo será diferente sem que algo em nós mude. Por isso, tantos preferem esperar pela sexta-feira, esperar é menos doloroso do que encarar.
A angústia que aparece antes mesmo do dia começar pode ser um sinal, um sintoma que aponta para o desalinhamento entre o que se vive e o que se deseja. Não é o calendário que pesa, é o encontro com aquilo que evitamos olhar durante a pausa.
O fim de semana pode ser encantador porque suspende a realidade. A segunda-feira, porém, convoca, mostra o que foi adiado, o que perdeu sentido, o que precisa ser revisto. Ela nos coloca diante do real, e o real, muitas vezes, dói.
Talvez o problema nunca tenha sido o dia. Talvez seja o quanto nos afastamos de nós mesmos, acumulando tarefas, expectativas inalcançáveis e silêncios internos.
Segundas não são inimigas. Elas são espelhos.
E a pergunta que fica é: você está fugindo do dia… ou de si?
⚠️ Este conteúdo e os demais não substituem uma psicoterapia ou análise pessoal!
Uma releitura de “Por que fazemos o que fazemos?”, de Mario Sergio Cortella.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Mande seu comentário no e-mail claudiojosejornalista@yahoo.com.br
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.