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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

DIA DO PADRE: PEQUENO HISTÓRICO DE UM SIMPLES MISSIONÁRIO



Quando decidi entrar para a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, quando decidi deixar tudo, casa, trabalho, família, amigos, cidade, para me dedicar a uma causa, uma missão, uma Congregação, jamais imaginamos o que nos espera, mas eu estava disposto a viver isso.

E foi assim, me senti chamado, segui, vivi, aprendi, rezei, sofri, fiz novas amizades,chorei, convivi com pessoas completamente diferentes de mim, e outras tão parecidas, estudei, saí em missão, vivenciei crises, caí, levantei, amei, mas jamais me arrependi da minha escolha.

Até então foi tudo muito tranquilo, mudava de cidade, quando era transferido e era preciso deixar lugares para trás. Era preciso desapegar, reaprender a viver em outro lugar, criar laços em outras paragens. E assim continuei. E assim continuo.

Mas o que eu jamais imaginaria, era que sentiria tanta saudade a ponto de doer, saudade das pessoas que amo, saudade de lugares que frequentava com pessoas que amo, saudade dos abraços das pessoas que amo.

Li uma vez que “Quanto mais longe a gente vai, mais perto da saudade a gente fica”. Mas a questão é que eu quis muito isso, eu quis estar aqui, eu quero permanecer, e essa saudade toda é apenas a certeza de que meu coração é capaz de amar tanto, que a saudade se aproveita disso, se instala em cada brechinha e se recusa a ir embora.

Na verdade, a saudade é só um pretexto para dizer o quanto eu amo as pessoas especiais que eu deixo em cada lugar. E para dizer que estar em missão, seja em qualquer lugar do mundo, é sentir que a liberdade nos transforma, que o amor sobrevive e que a amizade atravessa o tempo e o espaço, e isso só serve para fortalecer aquelas que permanecem.

Quando fiquei sabendo que viria para Chile, e chegando aqui este lugar se tornou meu lugar meu espaço, esse sentimento cresceu em mim, eu estou em casa, é como se aqui fosse o meu lugar no mundo, como se Deus segredasse em meu ouvido que esse cantinho do Chile sempre fora meu. Calma, como peregrino e forasteiro, sempre em busca do não lugar, eu não pretendo morar aqui para sempre, mas enquanto eu estiver, aqui será o meu lar, e esse povo será o meu povo.

Alguém na mesa guardou meu lugar, mas lá eu não ia voltar, ouvi a voz do meu Deus me chama, ouvi e segui meu Deus. Tudo por causa de um grande amor....

Hermano Maurício dos Anjos, OFMCap. – Santiago – Chile




Imagens do frei Maurício no Chile

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