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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

FALA INFANTILIZADA PODE INTERFERIR NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Falar de maneira infantilizada, usando um tom de voz terno e pronunciando palavras de forma incorreta, é comum entre pais e familiares de bebês. O hábito, conhecido mundialmente como “baby talk”, gera dúvidas sobre a influência no desenvolvimento da fala da criança. Pesquisas mostram que essa “linguagem de bebê” pode ser benéfica na relação entre pais e filhos, transmitindo afeto e segurança à criança, mas profissionais advertem que alguns cuidados devem ser tomados. 
Segundo a especialista em pareceres pedagógicos do Sistema de Ensino Aprende Brasil, Rita Schane, é natural que os pais infantilizem suas falas ao conversar com os filhos, mas é preciso saber a hora de parar. “A medida que a criança começa a estabelecer vínculos com outras pessoas, em outros espaços, essa fala infantilizada pode prejudicar, inclusive, os seus relacionamentos. Então, os pais precisam discernir que, quando a criança está se apropriando da oralidade, eles devem passar a falar de forma correta, para que o filho se aproprie do vocabulário de maneira adequada”, explica. 
Apesar do alerta, Rita lembra que utilizar palavras no diminutivo, como “filhinho”, copinho” etc. não representa uma infantilização da fala, mas apenas um jeito carinhoso de conversar. “Esse tipo de expressão, no diminutivo, não vai interferir no desenvolvimento da linguagem. O que deve ser evitada é a forma incorreta de pronunciar as palavras como, por exemplo, falar ‘pepeta’ em vez de ‘chupeta’”, expõe a especialista. Para ela, esse tipo de hábito não vai contribuir em nada com a criança, que pode, inclusive, sofrer bullying quando chegar na escola, ao conversar dessa maneira com os amigos. “A criança sofre um choque linguístico  porque em casa é ‘pepeta’ e na escola é ‘chupeta’, e ela vai chamar o objeto como se acostumou. É importante que, nesse momento, a família não fale mais assim com ela e já tenha organizado um repertório mais adequado, que articule as palavras de forma correta”, adverte Rita, lembrando que quanto mais a família estimular, mais rápido a criança vai falar, e quanto mais infantilizada a fala, mais demorado será esse processo. 

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