Durante a ação, os fiscais
do TCE checaram in loco aspectos como a quantidade de crianças por turma, as
condições dos equipamentos e brinquedos disponíveis, o nível de formação dos
profissionais, as instalações sanitárias, a acessibilidade, os cuidados com a
higiene e a segurança do lugar. A vistoria foi realizada em 253 creches
municipais de todo o Estado (com exceção da Capital, que é fiscalizada pelo
Tribunal de Contas do Município) simultaneamente e de forma surpresa, ou seja,
sem qualquer aviso prévio.
O objetivo foi fazer um levantamento
sobre a demanda das unidades, identificar critérios de prioridade de
atendimento das filas de espera, avaliar a infraestrutura dos locais e a
qualidade proporcionada para o desenvolvimento de crianças de zero a três anos
de idade. A ação foi realizada de forma concomitante em todos os municípios
selecionados no 27 de setembro, durante o período da manhã e tarde.
Em 32,56% dos municípios
vistoriados pelo Tribunal de Contas não havia lista de espera para matrícula das
crianças e em 58,14% das cidades os critérios de priorização de atendimento das
filas não estavam divulgados.
Entre as 253 creches visitadas, 51,39%
delas possuíam turmas com mais de oito crianças na faixa etária de zero a um
ano e 58,89% das classes de dois a três anos contavam com mais de 15 crianças
por professor, contrariando as recomendações do Ministério da Educação (MEC)
Ao analisar as características físicas
das unidades, os Agentes da Fiscalização do TCE constataram que 25,30% das
creches não possuíam condições de acessibilidade (rampas, faixas de
sinalização, banheiros para pessoas com deficiência, entre outros) e que 84,19%
das creches estavam com o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB)
vencido.
Outro problema encontrado foi em relação
à higienização das caixas d’água: 45,06% estavam há mais de seis meses sem
limpeza. Nas acomodações destinadas para o horário de descanso das crianças
também foram flagradas situações inadequadas, a exemplo de rachaduras no teto,
colchões com mofos e salas sendo utilizados, simultaneamente, para o depósito
de equipamentos.
Rachaduras, trincas, goteiras,
infiltrações, piso quebrado, vazamentos, presença de bolores, entre outras
condições precárias de conservação, foram detectadas em 52,57% das unidades
vistoriadas pelos Agentes da Fiscalização. Em 42,69% das creches visitadas
também foram encontradas situações que poderiam colocar em risco a segurança
das crianças, como brinquedos com ferrugem, pregos e parafuso aparentes, telhas
caídas, fiação exposta, parquinhos sem manutenção, presença de entulhos,
formigueiros e até marimbondos.
Relatório
Das ações realizadas pelas
equipes do Tribunal de Contas foi elaborado um relatório gerencial parcial –
para divulgação de informações de interesse público – e outro relatório
consolidado, com dados segmentados e regionalizados, que foram encaminhados aos
Conselheiros Relatores de processos ligados às unidades fiscalizadas.
A partir deste relatório
será possível traçar um mapa da situação das creches municipais de todo o
Estado que atendem crianças de zero a três anos e permitir ao administrador que
tome conhecimento e repare as possíveis falhas. Com ações como essa, o Tribunal
de Contas verifica não só a legalidade, mas também a qualidade do gasto dos
recursos públicos.

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