Pobre México.
Tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos. A frase atribuída ao ditador
Porfírio Dias resume bem o sentimento dos mexicanos em relação ao seu próprio
país. Em seu primeiro livro, o marqueteiro Eduardo Negrão (foto), tenta traduzir essa
versão hispânica do ‘complexo de vira-latas’, a definição de Nelson Rodrigues
para o sentimento que acompanhava os brasileiros desde a proclamação da
República até a virada do século XXI.
Na definição do
autor, o México seria uma espécie de “Paraguai norte-americano” porque recebe
dos americanos o mesmo olhar preconceituoso que os brasileiros dirigem aos seus
vizinhos e da mesma forma que os Paraguaios se ressentem da Guerra do Paraguai
os mexicanos ainda não superaram as perdas territoriais para a superpotência
vizinha. Em especial a México-Americana no final do século XIX quando perdeu
quase metade do seu território para os EUA. Incluído aí a riquíssima Califórnia
e o Texas onde o petróleo jorra abundante.
Mas, a simbiose
não para por aí no livro México – Pecado ao Sul do Rio Grande o autor revela a
‘vingança involuntária’ ao plantar mais de 34 milhões de imigrantes e descentes
de mexicanos no coração da América. Tornando-se onipresentes no cotidiano
norte-americano e decisivos nas eleições presidenciais.
O texto ainda
retrata a assustadora questão do narco-estado que controla o norte do México,
que se transformou numa espécie de FMI do dinheiro ilegal em todo mundo e já
apresenta isso logo na abertura: Quem não conhece o México, não pode
entender como funciona hoje a riqueza nesse planeta.
Por: Sande Moraes
Serviço: MÉXICO, PECADO AO SUL DO RIO GRANDE. 80
páginas. Editora Scortecci. R$ 30,00. A venda na www.livrariacultura.com.br

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