Quero resgatar fatos históricos e acrescentar novas informações para uma melhor compreensão daquele momento de criação do município e sua efetiva instalação. E lá são se vão 72 anos de história da emancipação de Dracena.
Como já foi bastante divulgado, Dracena surgiu em
1945, com sua fundação no dia 8 de dezembro para coincidir com o Dia da
Imaculada Conceição. Tudo foi planejado para atrair novos investidores
interessados nos lotes oferecidos pela Empresa Imobiliária Fioravante, Spinardi
e Vendramim Ltda., que surgiu em Tupã.
Era um momento de forte expansão da região Oeste
Paulista e notadamente a Zona da Mata, ou seja, a nossa Nova Alta Paulista.
Havia na época vários povoados surgindo, todos
ligados ao município responsável por estas terras que era Lucélia. Lucélia foi
fundada em 1939 e como município foi oficialmente reconhecido em 1944.
Lucélia é conhecida como a “cidade mãe das demais
cidades”, que foram surgindo posteriormente. A abrangência de Lucélia na época
era até as barrancas do Rio Paraná, um município, portanto, de grande extensão
territorial.
Dracena era apenas um povoado ou território e assim
ficou em 1946 e 1947. Porém, Írio Spinardi e demais fundadores queriam mais,
sabiam que se Dracena não se tornasse município no final daquela década de 1940
ficaria para trás, pois havia dezenas de outras localidades prontas para
crescer. A concorrência era muito grande.
Chegou o ano de 1948, que foi fundamental neste contexto
histórico. Na Assembleia Legislativa de São Paulo tramitavam dezenas de
projetos de criação de novos municípios. Para se ter uma ideia, naquele ano
foram criados 64 municípios de uma só vez, incluindo Dracena. O interessante
que foi arquivado o projeto de criação do município que se chamaria Metrópole,
que acabou se transformando num dos principais bairros de Dracena. Panorama
também não conseguiu seu objetivo naquele ano.
Antes da criação oficial de Dracena, Írio Spinardi
teve um trabalho enorme para concretizar a sua ideia. Primeiro, pediu apoio
para o senhor Souza Leão, fundador de Tupã, que tinha mais acesso aos deputados
estaduais da época. Em contato com os deputados Dr. Antonio Sylvio da Cunha
Bueno e Dr. Ulysses Guimarães, o fundador Írio Spinardi ficou sabendo que Tupi
e Junqueirópolis estavam com processos mais adiantados e com apoio de padrinhos
políticos.
Os referidos deputados visitaram a nova região para
ver o surgimento das cidades, inclusive, Dracena. Os próprios deputados não se
entusiasmaram com a situação, pois havia poucas casas nos primeiros anos após a
fundação. Mas, Írio Spinardi os convenceu da viabilidade do projeto, mostrando
o hotel de dois andares em construção, rodoviária e vários prédios de
alvenaria.
Após a visita dos parlamentares, Írio Spinardi criou
uma comissão para conseguir reunir informações e documentos e tudo mais que
pudesse comprovar e justificar a criação do município. Houve momentos de
aflição, ansiedade e até de dúvida se tudo aquilo daria certo. Até povoados
vizinhos tentaram prejudicar o projeto de Dracena.
O Diário Oficial da Assembleia, edição de 4 de maio
de 1948, apresentou ata da comissão de estatística da Assembleia, com a relação
de territórios que pleiteavam a criação dos municípios. Naquela publicação
estava o requerimento 230, assinado por Ulysses Guimarães, com as seguintes
informações: “Memorial dos moradores do território denominado Dracena,
encaminhado pelo requerimento nº 230/1948, do deputado Ulysses Guimarães,
solicitando a elevação do referido território à categoria de município”.
A formalização do projeto foi mais um passo
importante, porém ainda faltavam as 400 assinaturas de apoio, com firma
reconhecida. Isso Írio só ficou sabendo 48 horas antes da votação do projeto.
Foi um momento de grande desespero. Para se ter uma ideia da situação
dramática, Írio teve que contratar um avião em São Paulo, com algumas latas de
gasolina de reserva, até chegar a Garça já à noite e depois Lucélia. Ainda teve
que convencer o piloto para chegar a Dracena ainda naquela noite.
A aterrissagem em Dracena só foi possível graças aos
poucos carros que acenderam seus faróis na pista de pousos. Naquela mesma noite
houve reunião de emergência para a comissão de trabalho se organizar visando a
coleta das assinaturas de apoio. Era uma corrida contra o tempo. O dia seguinte
todo foi marcado por esta corrida pelas assinaturas. Até crianças assinaram a
lista com seus nomes e de seus pais.
Com a lista em mãos, Írio foi para Lucélia em busca
do reconhecimento de firmas das assinaturas. Um detalhe: o cartório dirigido
pelo capitão Mesquita tinha sido destruído por um incêndio. Írio teve que
convencer o capitão a fazer o seu trabalho de reconhecimento de firmas para não
inviabilizar o abaixo-assinado. Foi sob um clima de tensão e de ameaças para
que tudo fosse feito no tempo certo. Írio seguiu para São Paulo, novamente de
avião no próprio dia de votação do projeto e às 15h30 entregou o
abaixo-assinado na Assembleia Legislativa. A votação foi por ordem alfabética,
às 16 horas, e o projeto de Dracena acabou sendo aprovado.
Foi um momento de forte emoção para Írio Spinardi e
todos os demais envolvidos naquele projeto, não se esquecendo dos fundadores
também, João Vendramim, Virgílio e Florêncio Fioravante. Através da Lei nº 233,
de 24 de dezembro de 1948, (na véspera do Natal), o então governador Adhemar de
Barros fez a promulgação e sancionou a legislação referente ao novo quadro
territorial, administrativo e judiciário do Estado de São Paulo. Nesta lei 233
está a informação que o município de Dracena é criado com terras desmembradas
do distrito de Tupiretama, ex-Gracianópolis. Na mesma lei, há a notícia da
criação do distrito de Jaciporã. Dracena tinha as seguintes divisas: com
Pauliceia, Gracianópolis (hoje Tupi Paulista), Junqueirópolis, Santo Anastácio,
Piquerobi e Presidente Venceslau. Ainda fazia divisa com os distritos de
Jaciporã e de Ouro Verde.
Após a criação do município no Natal de 1948, com
uma grande festa, o próximo desafio era a realização da primeira eleição municipal
e depois a instalação do município.
Conforme o site do Tribunal Regional Eleitoral, a
eleição do primeiro prefeito dos novos municípios ocorreu em 13 de março de
1949, abrangendo ainda as Câmaras de Vereadores. Não havia a figura do
vice-prefeito. O fundador Írio Spinardi acabou sendo eleito o primeiro
prefeito. Era candidato único, recebeu a totalidade dos votos, nenhum nulo ou
em branco. A Câmara tinha 13 vereadores como hoje. Foram eleitos: Ázio
Montecuco, Aparecido Enes Sobrinho, Arlindo Carnelós, Eloy Ferreira Duarte,
Hildebrando Lippe, João Cícero, João Leal, José Antonio Mega, Jovino da Silva
Dias, Messias Ferreira da Palma (o primeiro presidente do Legislativo), Mário
Pagnozzi, Norberto Martins da Fonseca e Pedro Vítor da Silva. Os suplentes eram
Bráulio Boleta, Geraldo Sabino de Oliveira, Joaquim Rodrigues de Barros, José
Xavier Alves e Osvaldo Rodrigues de Barros.
A posse do primeiro prefeito e 13 vereadores ocorreu
em 3 de abril de 1949, com mandato tendo início em 4 de abril, que é a data que
prevalece como o Dia da Emancipação Político-Administrativa de Dracena, que é a
comemoração que fazemos hoje.
Pelos relatos é possível imaginar como foram difíceis os primeiros anos após a instalação do município de Dracena. Tudo começou na estaca zero, mas graças ao empenho dos governantes, investidores e da população, as décadas foram passando e Dracena alcançou o patamar de cidade polo da região da Nova Alta Paulista.
Muito obrigado a todos. Viva, Dracena!
Pesquisa: Cláudio José Pasqualeto.



















