Muitos especialistas em
desenvolvimento infantil têm alertado os pais e educadores sobre os perigos dos
aparelhos eletrônicos para a saúde de crianças e adolescentes. Agora, um novo
estudo, realizado na Coreia do Sul, comprovou que crianças que passam muitas
horas nesse tipo de eletrônico têm um risco aumentado para desenvolver a
síndrome pediátrica do olho seco, uma doença que até então só atingia adultos,
em idades mais avançadas. De acordo com Dra. Marcela Barreira,
oftalmopediatra e neuroftalmologista, a síndrome do olho seco ocorre quando as lágrimas evaporam mais rápido e
há queda na produção do muco encontrado na lágrima. “Entre os sintomas mais
comuns estão o ressecamento ocular, ardência, coceira, sensação de areia nosso
olhos, vermelhidão e sensibilidade à luz”, explica a médica.
Embora a síndrome pediátrica do olho seco seja
rara e, em muitos casos, esteja ligada a outros problemas de saúde, o estudo
coreano mostrou que 6,6% das crianças envolvidas na pesquisa apresentaram a
doença. Entre elas, 97% relataram usar celulares e tablets por mais de três
horas por dia. Já as crianças que passavam menos de 37 minutos por dia em
eletrônicos e realizavam mais atividades ao ar livre não tinham sintomas do
problema. “O que ocorre é
que durante o uso de celulares ou tablets, olhamos para as telas por muito
tempo e acabamos piscando menos, principalmente quando as telas são menores. Os
olhos acabam se sobrecarregando e ficamos com a vista cansada. Esse é um
importante fator de risco para causar a evaporação mais rápida da lágrima,
podendo assim levar à síndrome do olho seco”, explica Dra. Marcela. “As
crianças, principalmente as menores, não têm consciência da importância de
piscar várias vezes em certas atividades, como quando estamos usando eletrônicos.
Portanto, o correto é os pais evitarem oferecer eletrônicos antes dos dois anos
de idade, principalmente. Mesmo porque a visão da criança se desenvolve até os
sete anos. Isso quer dizer que podem ocorrer outros problemas oculares, como o
agravamento ou até mesmo o desenvolvimento da miopia e outros erros refrativos
por alterações na estrutura da córnea”, diz a médica.
Segundo Dra. Karina Weinmann, neuropediatra e especialista em desenvolvimento
infantil, não é só a visão que é prejudicada
quando crianças são expostas de maneira excessiva à tecnologia. “Precisamos
entender que a criança precisa do contato com outras pessoas para desenvolver
suas habilidades sociais e para alcançar todo seu potencial cognitivo. Se a
criança passa horas no celular ou no tablet, ela não consegue compartilhar suas
emoções, não aprende comportamentos, além de atrasar a aquisição da fala e
linguagem, fundamentais para a socialização, pois o déficit na linguagem pode
gerar frustração no caso da criança não conseguir se comunicar, o que acaba
levando ao isolamento social”, diz a neuropediatra.
A tentação em oferecer um tablet para a criança
pode ser grande, principalmente quando os pais estão cansados e precisam de
tempo para comer ou fazer outra atividade em casa. Mas, a recomendação das
especialistas é unânime: o ideal é não incentivar o uso e não fazê-lo antes dos
dois anos de idade. Depois disso, não deve ultrapassar 30 minutos por dia.