FARMAIS DE DRACENA

segunda-feira, 24 de abril de 2017

LEIA INTERESSANTE ARTIGO SOBRE "BALEIA AZUL, PAIS CINZENTOS"

O jogo da Baleia Azul criou um motivo de preocupação aos pais até então despreocupados com os desocupados filhos adolescentes. Disseminou-se em escala mundial pelas redes sociais. Um jogo macabro com uma série de 50 desafios. Há desde tarefas simples, como desenhar uma baleia azul numa folha de papel, até outras muito mórbidas como cortar os lábios ou ferir a palma da mão diversas vezes. Em outra tarefa o participante deve desenhar uma baleia no seu antebraço com uma lâmina.
O objetivo final é o jogador acabar com a própria vida. A origem do jogo é desconhecida, mas os primeiros relatos vêm da Rússia, onde dois adolescentes se jogaram de um prédio de 14 andares. Aqui mesmo em Bauru tivemos registros de casos envolvendo adolescentes. Um deles, de 17 anos, ameaçou pular de um viaduto na Rondon. Deu trabalho para os bombeiros e assunto à mídia. Na região também houve ocorrências do tipo.
Órgãos aqui do município, ligados à Educação, Cultura e Comunicações, se reuniram para traçar uma estratégia de combate à cyber-praga. A Polícia também faz uma corrida contra o tempo, convencida de que não se trata de uma lenda urbana e é preciso garantir a integridade física e a vida de menores de idade. Com a virilização do jogo, algumas escolas começaram a pensar em alternativas para aumentar a conscientização sobre a importância de se cuidar da vida.
O que mais chama a atenção nesses episódios é a obediência cega dos adolescentes a criminosos sádicos e torturadores, chamados de "curadores". Um dos players recebeu a incumbência de dar balas envenenadas a 30 crianças de duas diferentes escolas, e estava disposto a cumprir a exigência. Pelo menos, neste caso, o pai e a mãe estavam atentos às mudanças de comportamento do menino que passava a noite acordado com celular e o fone de ouvido. A cultura dominante reza que não se pode chamar a atenção dos filhos por nada. Qualquer coisa pode ser interpretada como "opressão paterna".
Dar com o dedo na cara do rebento e manda-lo dormir depois de apreender o smartphone, pode ser considerado bullying caseiro. Os pais são convertidos em amiguinhos dos filhos, criando um vácuo de autoridade. Esse vazio acaba preenchido por qualquer pessoa mal-intencionada que se apresente. No meu tempo de púbere havia uma cinta pendurada atrás da porta. Nunca usada, mas permanecia à vista, como sinal de que em casa a ordem vinha de cima. Hoje, a insubordinação generalizada entre pais e filhos cria uma geração fragilizada, que se vitima por tudo e sujeita-se a esse tipo de comportamento doentio. Minha mãe dizia que "excesso de felicidade" também leva à depressão. Os pais suprem necessidades, com dinheiro. Materialmente, nada falta. O tempo vazio é preenchido no quarto fechado, em navegações cibernéticas repletas de armadilhas. Baleia Azul é só uma delas. A pedofilia ainda está solta na internet.
No meu tempo, jogava búrica, pião, empinava papagaio, jogava futebol no terreno baldio, areava as panelas e cuidava da horta no quintal, além de estudar. Reconheço que os tempos mudaram, infelizmente sem novos antídotos contra essas doenças psicológicas da vida moderna. Falta religião e fé, que dão algum sentido à vida. Será que não há mais aula de catecismo? Alguma coisa precisa ser feita para mostrar o lado bom, ainda que alienada. Melhor que conduzir o filho pela orelha e aos prantos, para que cumpra seus deveres.
Em contraponto a essa tragédia, surge a Baleia Rosa, com tarefas mais altruísticas como "escreva na pele o quanto você a ama"; "faça um carinho em alguém". Está aí a Baleia Verde, com 35 tarefas que estimulam a autoconfiança e a autoestima dos jogadores. Procura dar apoio moral àqueles que tiveram ou têm ideias suicidas. Podem também aparecer o Elefante Roxo e o Tigre Amarelo.
De nada vai adiantar enquanto tivermos Pais Cinzas, sem vida, sem ação, sem autoridade. Falta cor nas famílias. Ninguém mais tem tempo de brincar com os filhos, rolar no tapete ou na grama com seus rebentos. Somos todos jogadores de um mundo virtual. Os normais estão no "Nove verdades e uma mentira". Ou vice-versa.
É uma leitura divertida, saber das coisas insólitas que aconteceram na vida (ou no imaginário) de pessoas, muitas das quais conheço e admiro. Sintético e romantizado, cada item me consola.
Meu Deus, quanta gente com aquele ladinho cretino! Pensei que fosse só eu.

Zarcillo Barbosa é jornalista e articulista do JC de Bauru

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